Politro
trabalhava na Companhia de Polícia de Choque e nas horas de folga nos finais de
semana fazia bico na Casa da Tradição.
Em uma
noite de uma sexta-feira qualquer, um amigo choqueano pediu seu Fiat 147
emprestado pois desejava sair com a namorada. Politro emprestou o carro, mas
advertiu o colega que devolvesse em perfeito estado pois iria a um casamento
naquele sábado com a esposa e a sogra. Ao raiar do dia, o bólido foi devolvido
sem alterações visíveis.
Ao se
dirigir para o casamento, durante o trajeto com suas acompanhantes, a esposa
sentada ao seu lado no banco do carona e a sogra ocupando lugar imediatamente
no banco traseiro bem atrás de Politro. A certa altura do trajeto percebeu
que algo o incomodava junto ao seu pé esquerdo quando estava mais próximo do
seu assento. Ao olhar mais detalhadamente para baixo, era um sapato de
mulher...
Um
tremor tétrico passou por sua barriga de tanque de guerra, desenvolvida a custo
de muito levantamento de copo...
Pensou
consigo mesmo: “...miserável, empresto o carro e fica o sapato da quenga aqui
dentro...”
Raciocinando
como um raio, decidiu que tinha que dispensar aquela prova, de um crime o qual
não cometera, e se fosse descoberto realmente estaria em péssimos lençóis e
assim foi tentando disfarçadamente pegar o tal sapato sem que fosse
percebido...
Alguns
minutos que pareceram horas se passaram e finalmente conseguiu seu intento.
Primeira batalha vencida. Agora vamos para a segunda. Como iria dispensar
aquele troféu excomungado e indesejável que na sua mão esquerda parecia uma
brasa incandescente?
Sua
esposa ao perceber que Politro só dirigia com a mão direita, perguntou qual o
motivo desta atitude, o que foi respondido que estava apenas descansando o
braço esquerdo, pois havia trabalhado duro no dia anterior o que lhe causava
algumas dores locais.
Também
decidiu que deveria se livrar daquela praga de sapato quando fizesse uma
conversão para a direita, pois normalmente as pessoas voltam a atenção na
direção do deslocamento do veículo. Em determinada conversão à direita atirou o
sapato com a mão esquerda pela janela e suspirou aliviado, pensando que havia
se livrado de todos os pecados do mundo.
Ao
chegar no local do casório, a sua sogra procurava incansavelmente por um dos
sapatos que havia tirado para descansar os pés...Politro estava atônito! Pensou
com seus botões: “Joguei o sapato desta
praga fora pensando que era o da quenga daquele fdp...”. Reviraram o carro
e é claro, nada foi encontrado...
Politro,
que parecia uma tocha incandescente face seu rubor facial, cavalheirescamente,
prontificou-se a buscar outro par de sapatos para sua querida e estimada sogra
e até propôs, caso desejasse, compraria outros sapatos no shopping...
Bem, ao
frigir dos ovos, sob incansáveis e ruidosos protestos, a sogra entrou sem um
dos sapatos na igreja e Politro foi buscar outros sapatos, aliviado, mas não
totalmente a salvo...
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