Sunday, 18 November 2018

“PERMISSÃO PARA ORGANIZAR A ZONA”


A Cia P Chq havia sido enviada para Garuva/SC, próximo a Joinville/SC, norte do estado, onde no dia anterior o Pelotão de Choque do 8º Batalhão fora atacado por integrantes do MST, quando montaram acampamento em uma fazenda produtiva naquele município.

O efetivo da Cia era de aproximadamente 90 homens divididos em três pelotões. Em seguida da abordagem e terem desmontado o acampamento dos sem-terra, ficaram acantonados, juntamente com outras unidades, em uma escola municipal.

Após o jantar, os guerreiros solicitaram permissão para dar uma volta para conhecer a cidade. Foram advertidos pelos policiais da região que a cidade não tinha nada...ou quase nada...

Realmente, após alguns instantes, perceberam que a cidade era pequena, sem atrações e praticamente sem opções de lazer, porém não se deram por vencidos e partiram em busca de ação e após intensas ações de busca no exíguo terreno onde se estabelecia a cidade, vieram por descobrir importante ponto estratégico, algo verdadeiramente relevante, principalmente naquele momento.

Torna-se prudente esclarecer que “aquele local” recentemente descoberto era habitado por público feminino e com a finalidade de aliviar as tensões estressantes do dia-a-dia da população masculina, que normalmente, na configuração antiga do vocabulário popular era chamada de ‘casa de tolerância’, bordel ou simplesmente “Zona”.

Passavam-se alguns minutos das 20 horas e os choqueanos que permaneceram alojados estavam em congraçamento com colegas e amigos de longa data, os quais haviam anos que não se viam, quando o saudoso Tenente Jair é chamado por um choqueano. Logo em Seguida, ambos se dirigem ao capitão comandante da companhia de choque:

- Com licença, meu capitão! Permissão pra falar com o senhor!- Prossiga, respondeu o Capitão.

E o Tenente Jair continua seu relato:- Uma parte da tropa está numa zona...segundo o puliça ali...

E o puliça complementa:- É...seu capitão...uma zoninha que fica ali pra baixo, logo após a igreja...mais ou menos uns dois quilômetros depois...

E o Tenente complementa:- Pois é, já descobriram uma zona...a cidade não tem nada pra se fazer a noite, mas a raça já descobriu uma zona no meio do nada...e parece que já andaram dando uns tapas nos fregueses...expulsaram os frequentadores...e o senhor sabe, né...isso não vai dar certo....
E arremata:

- Meu capitão: tenho uma solução! Permissão para ir organizar a zona?- Permissão concedida. Cumpra bem a sua missão! Respondeu o capitão.- Pode deixar chefe! Deixa comigo...até logo...

O “até logo” foi até as seis horas da manhã do dia seguinte quando todos os que foram na zona retornaram com semblantes mais alegres e calmos, e a estadia na zona foi “S/Alt”.

Missão cumprida!!!

Thursday, 15 November 2018

POLITRO E O SAPATO DA SOGRA


Politro trabalhava na Companhia de Polícia de Choque e nas horas de folga nos finais de semana fazia bico na Casa da Tradição.
Em uma noite de uma sexta-feira qualquer, um amigo choqueano pediu seu Fiat 147 emprestado pois desejava sair com a namorada. Politro emprestou o carro, mas advertiu o colega que devolvesse em perfeito estado pois iria a um casamento naquele sábado com a esposa e a sogra. Ao raiar do dia, o bólido foi devolvido sem alterações visíveis.
Ao se dirigir para o casamento, durante o trajeto com suas acompanhantes, a esposa sentada ao seu lado no banco do carona e a sogra ocupando lugar imediatamente no banco traseiro bem atrás de Politro. A certa altura do trajeto percebeu que algo o incomodava junto ao seu pé esquerdo quando estava mais próximo do seu assento. Ao olhar mais detalhadamente para baixo, era um sapato de mulher...
Um tremor tétrico passou por sua barriga de tanque de guerra, desenvolvida a custo de muito levantamento de copo...
Pensou consigo mesmo: “...miserável, empresto o carro e fica o sapato da quenga aqui dentro...
Raciocinando como um raio, decidiu que tinha que dispensar aquela prova, de um crime o qual não cometera, e se fosse descoberto realmente estaria em péssimos lençóis e assim foi tentando disfarçadamente pegar o tal sapato sem que fosse percebido...
Alguns minutos que pareceram horas se passaram e finalmente conseguiu seu intento. Primeira batalha vencida. Agora vamos para a segunda. Como iria dispensar aquele troféu excomungado e indesejável que na sua mão esquerda parecia uma brasa incandescente?
Sua esposa ao perceber que Politro só dirigia com a mão direita, perguntou qual o motivo desta atitude, o que foi respondido que estava apenas descansando o braço esquerdo, pois havia trabalhado duro no dia anterior o que lhe causava algumas dores locais.
Também decidiu que deveria se livrar daquela praga de sapato quando fizesse uma conversão para a direita, pois normalmente as pessoas voltam a atenção na direção do deslocamento do veículo. Em determinada conversão à direita atirou o sapato com a mão esquerda pela janela e suspirou aliviado, pensando que havia se livrado de todos os pecados do mundo.
Ao chegar no local do casório, a sua sogra procurava incansavelmente por um dos sapatos que havia tirado para descansar os pés...Politro estava atônito! Pensou com seus botões: “Joguei o sapato desta praga fora pensando que era o da quenga daquele fdp...”. Reviraram o carro e é claro, nada foi encontrado...
Politro, que parecia uma tocha incandescente face seu rubor facial, cavalheirescamente, prontificou-se a buscar outro par de sapatos para sua querida e estimada sogra e até propôs, caso desejasse, compraria outros sapatos no shopping...
Bem, ao frigir dos ovos, sob incansáveis e ruidosos protestos, a sogra entrou sem um dos sapatos na igreja e Politro foi buscar outros sapatos, aliviado, mas não totalmente a salvo...